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[Escola] Corrida de resistência

>> segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Todos os anos é a mesma coisa, chega no segundo semestre as crianças começam a treinar para uma corrida de resistência, o 持久走大会 (じきゅうそうたいかい ― Jikyuusou Taikai).  Aquilo que sempre chamei de "maratona" escolar, e agora resolvi ir atrás da tradução correta e "corrida de resistência" realmente é bem mais adequado.

Na escola das meninas costuma acontecer em dezembro, esse ano será em novembro, dia 28 para ser mais exata. Como eles são mega organizados, caso chova ou aconteça algo que impossibilite que o evento ocorra no dia, tem um dia de reserva, que esse ano será dia 3 de dezembro.

Assim como acontece no verão, quando nas aulas de educação física as crianças entram na piscina, todas as manhãs temos que medir a temperatura, anotar a hora que foi dormir, a hora que acordou, se tomou café da manhã e se tem algo que impeça a criança de treinar no dia e, claro, assinar.

Clique para ampliar
E também igual a piscina, temos que autorizar a participação dos filhos nesses eventos.

É uma corrida hard. Tudo bem, crianças tem que correr, pular, brincar ao ar livre blá blá blá. Eu SEI. Por isso todos os finais de semana vamos aos parques com as meninas para que elas possam brincar da forma tradicional, gastando energia física, construindo um corpo saudável. Mas sério mesmo que é necessário fazer crianças de 6 anos correr 900 m?

A programação aqui é:

1º e 2º anos
900 m
3º e 4º anos
1400 m
5º e 6º anos
2200 m

Esse ano pelo menos será na escola, já que acabou a reforma. Até ano passado ocorria em um parque aqui perto. O parque é bom, tem rota para caminhadas e corridas, mas tem subidas e descidas e eu morria de dó das crianças tremendo de frio e cansaço, correndo de camiseta e bermuda a uma temperatura baixíssima. Tudo bem, enquanto está correndo não sentem frio, mas tem que esperar sentados no chão até as outras séries acabarem, ficam ali encolhidos de frio, de CAMISETA e BERMUDA.

Minhas meninas ODEIAM correr. Correm brincando, mas correr tipo maratona não é a praia delas. Melissa sempre chega entre as últimas.  Ano passado um dia voltou falando de uma amiguinha que chorou porque chegou em antepenúltima.  E ainda complementou:

- Não entendo porque chora.  Eu cheguei em última e não chorei.

Ai ai ai.  Acho bom ela não ser competitiva, fazer as coisas que consegue sem querer ser a melhor. Claro que ela gosta de ganhar, mas não vira aquelas pessoas chatas que PRECISAM mostrar que é melhor em tudo.  Não é saudável, não é legal e realmente viram pessoas chatas pra caramba.  Mas precisava ser TÃO desencanada?  Mas... eu também sou assim, sempre fui, coitada dela puxar essas coisas dos pais.

XD

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Bye bye blog

>> terça-feira, 21 de outubro de 2014

Apenas para deixar registrado o visual que usei durante anos.

Todo recomeço exige uma reformulação desde as raízes. Trocar tudo o que está parado, ficando velho e mofado.

Foi bom enquanto durou, agora é sacudir a poeira e seguir em frente.

Good bye bye, so long, farewell...




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[Escola] Dica de leitura

>> terça-feira, 23 de setembro de 2014

Uma das dificuldades que encontro é em recomendar livros para as meninas lerem. Desde o primeiro ano as crianças são obrigadas a lerem, no primeiro ano 10 minutos diariamente e a partir do segundo ano pelo menos 15 minutos diariamente.

A partir desse ano ainda fizeram o dia da leitura. Todos os meses no dia 23 é o dia das crianças apresentarem um livro. Escrevem em uma folha o nome do livro e o que acharam dele. E o responsável tem que escrever uma palavrinha sobre isso: como a criança escolheu, como lê, se está gostando, etc.

Quando Melissa estava no primeiro ano li junto muitos livros. Como em casa tem muitos ehons (livros com gravuras), lia esses mesmo por ser curtinho. Depois que precisou ler pelo menos 10 minutos achei que precisava escolher livros maiores e comecei a pegar na biblioteca. Besteira, se a criança não tem o costume de ler ela se entedia e não presta atenção no que está lendo.

Melissa sempre detestou os livros e eu nunca soube incentivá-la. Peguei livros que fizeram parte da minha infância como O Mágico de Oz, A Fantástica Fábrica de Chocolate ou Alice no País das Maravilhas. Livros "grandes" e com muitos kanjis.  Um grande erro!


Depois a levava à biblioteca para que ela escolhesse, escolhia apenas ehons curtíssimos que lia em 2 minutos. Mesma coisa acontecia quando falava para escolher livros na biblioteca da escola.

Comecei a comprar livros de coletâneas, próprios para a série. E assim continuei para as leituras do segundo ano.

No terceiro ano esses livros acabavam rápido, cada estória não durava os 15 minutos necessários. Mas ela se sentou ao lado de uma amiguinha que gostava de ler e isso a incentivou a pegar livros mesmo que não lesse, pelo menos começou a carregar.

As Crônicas de Nárnia foi um que fui feliz ao escolher para ela, pena que apenas O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa tinha uma versão mais fácil de ler, os outros livros da série tem muitos kanjis que ela ainda não aprendeu, nem me arrisquei a pegar.

Conversando com a Claudia, uma amiga que tem 3 filhos leitores, ela me indicou uma série que parece ser muito interessante.

Magic Tree House de Mary Pope Osborne



Conta a estória de 2 irmãos, Jack e Annie, que moram na Pensilvânia e encontram em uma árvore uma casa mágica lotada de livros.  A aventura começa quando abrem um livro e literalmente entram na estória.

Achei na biblioteca e peguei o primeiro livro da série. Vamos ver se elas gostam, eu A-DO-REI XD



Recomendado para crianças de todas as idades, os kanjis tem yomigana ao lado. Li o começo e a linguagem usada é fácil de entender.


Em 2012 lançaram a animação, isso elas adoraram, achei com legenda persa (?). Se quiser legenda em inglês está dividido em quatro partes aqui.


O site é bem bonitinho.


São 36 livros até agora e é bem disputado na biblioteca. Se quiser comprar, o site oficial é o Media Factory.

Se quiser pedir na livraria マジック・ツリーハウス de メアリー・ポープ・オズボーン

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3 anos

>> terça-feira, 11 de março de 2014

Como nossa vida muda em um período tão curto de tempo.  Há 3 anos eu estava me preparando para voltar a trabalhar. Há 3 anos as meninas iam se separar de mim pela primeira vez porque iam começar a frequentar a pré-escola. Há 3 anos ocorria o terremoto monstro seguido do tsunami.

Ontem um senhor falou sobre o terremoto ocorrido há 3 anos e foi quando caiu minha ficha. Foi há apenas 3 anos. Mas e pra quem perdeu pessoas queridas? Esses anos foram uma eternidade. Infelizmente tudo o que posso fazer é orar pra que elas encontrem algum corforto com a ideia que essas pessoas estão em um lugar melhor.

Reli o que escrevi na época. Não exatamente quando ocorreu o terremoto, mas depois de um tempo fiz um post longo, que ainda me deixa triste quando leio.


Esse ano, a vida corrida, Melissa aguardando ansiosamente as férias da primavera, Karina aguardando a entrada na escola, a vida continua seguindo, mas relembrar de uma catástrofe como aquela nos faz refletir um pouco mais na finitude humana.

Não sei direito o que estou sentindo hoje, apenas que acordei um pouco melancólica, tem uma tristeza que não consigo explicar apertando o peito :ó(

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Gentileza

>> quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


O rapaz tinha um problema nas pernas que o obrigava a andar mancando. Seu serviço era abastecer as linhas de produção. Andava o dia inteiro carregando caixas e mais caixas.

Ela era uma funcionária nova. Ágil, fazia tudo com rapidez o que lhe deixava com muito tempo livre para observar o que acontecia ao redor. Pensou que não custava pegar suas próprias peças para ajudar um pouco o rapaz.

Ele ficou bravo.

- O que você pensa que está fazendo? Está com pena de mim? Acha que não sou capaz de dar conta do serviço?

Engolindo o choro, pela primeira vez ela sentiu pena do rapaz. Quanta discriminação ele deve ter sofrido na vida para ter se endurecido tanto?

- Tome!

- O que é isso?

- Um pedido de desculpas. Não tive a intenção de ofendê-lo. Uma pena que não seja mais capaz de distinguir gentileza de menosprezo. Mas espero que essa bala possa adoçar seu dia e deixar seu coração mais leve.

Desconfiado, mas aceitou.

Ela percebeu que se tornou o assunto do da vez, apesar de nada comentarem com ela. Tampouco tinha vontade de falar sobre o ocorrido, sentia que as lágrimas contidas a tanto custo explodiriam a qualquer momento.

Na manhã seguinte ele lhe estendeu um chocolate.

- Aceito sua ajuda se você aceitar minhas desculpas.

Ele não sabe, e nem precisa, mas adoçou muito mais do que a boca quando todas as manhãs a recebe com um "Bom dia!" sorrindo.

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Incentivo

>> domingo, 23 de fevereiro de 2014


Melissa sempre foi muito parecida comigo, não fisicamente felizmente, mas o gênio difícil, os interesses, as brincadeiras...

Sempre gostei de esportes e ela também. Gostamos da água e natação é um dos esportes favoritos nosso. Sempre fui rápida na corrida de curta  distância, Melissa é devagar mas gosta de correr, sempre foi uma criança agitada.

Na escola todos os anos tem maratona, que acontece em dezembro. Obviamente não correm 42 km, mas alunos de 1ª e 2ª série tem que correr 900 m. Eles começam a treinar mais ou menos em outubro e Melissa ODEIA. A maratona é um martírio para ela e eu não conseguia entender o porque de tanto ódio se ela corre muito todas as vezes que vamos aos parques. Aí lembrei que eu também detestava as aulas de cooper. Nunca tive resistência para corridas longas, logo começava a doer do lado da barriga. A professora nos fazia correr os 45 minutos que durava a aula, podíamos andar se cansássemos mas não podia parar. Era uma aula muito ruim de fato. Eu caminho bem, mas correr...

Os treinos e a maratona ocorrem em um parque aqui perto. A pista não é plana, tem subidas e descidas. Costumo caminhar lá quando tenho tempo, correr é difícil mesmo.

Ano passado Melissa voltou com o papel da colocação nos treinos: 43. Perguntei quantas meninas eram: 43 ¬¬

Ela diz que não gosta de correr porque nunca chega em primeiro. Eu disse que essa maratona era uma aula, como o undoukai (gincana), não é uma competição e não precisa chegar entre os primeiros, basta conseguir completar. Mas se quisesse uma melhor colocação ela tinha que se esforçar mais. No dia seguinte chegou em 22º lugar o.O Mas como cansou demais achou que o esforço não vale a pena >.<

Como eu, ela não tem resistência. Achei que esse poderia ser o motivo para ela detestar  tanto a maratona. Contei que eu também não consigo  correr muito tempo e pedi para ela me treinar. Como vamos  ao parque todas as semanas, no sábado ela prometeu correr meia hora comigo. Depois estaria livre para brincar à vontade, correr com os amigos XD E no domingo ela pode escolher o parque que quer brincar sem se preocupar em me treinar.

Espero que treinando um pouco o ano inteiro  ela não se canse tanto quando chegar a época mais odiada da vida escolar da minha menina.

#Oremos

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Ser adulto dói

>> terça-feira, 18 de fevereiro de 2014



No banho Karina acha minha cicatriz da cesária.

- O que é isso?

- Você e Melissa saíram da barriga da mamãe por aqui.

O.O

- Eu não quero ficar adulta. Não quero cortar barriga pra ter filhos.

- Nem sempre é preciso cortar a barriga, filha.

- Mas não quero tirar bebês pela piriquita.

- Vamos deixar pra você se preocupar com essas coisas depois? Agora é muito cedo, agora é época de você brincar, certo?

- Certo! Mas não quero cortar a barriga porque dói e não quero peidar um bebê com a periquita porque também dói.

Segurando a risada (peidar um bebê pela piriquita kkkkkkkkk).

- Tá, mamãe entendeu. Você não quer ter filhos desse jeito. Mas vamos brincar e parar de pensar na hora de ter filhos?

- Certo! Mas se eu não tiver filhos desse jeito minha barriga vai explodir pro bebê nascer?

- Não, barrigas não explodem. Não precisa ter medo, na hora que você for ter filhos vai ser só alegria. Vamos brincar agora?

- Certo! - continua pensando.

- Meu bebê vai nascer de um ovo, ovo não dói pra botar. Ou será que vou achar dentro de um pêssego? Nãaaaaaao, já sei! Vou achar dentro de um pedaço de bambu. Já decidi como vou ter meus filhos. Vou ter um monte de filhos sem precisar ficar barriguda.

Ahhh filha, se você soubesse como é gostoso sentir quando vocês estão dentro da gente.  Se soubesse da vontade que tenho de colocar vocês dentro da barriga pra ter vocês só pra mim novamente.  Se soubesse que apesar de toda a dor, pré e pós parto, a alegria de ter vocês em minha vida supera tudo.

Um dia espero poder fazer por vocês tudo o que minha mãe fez por mim quando vocês nasceram. Até lá, não se preocupem com esses detalhes e brinquem bastante.

Suspiro profundo e sorriso besta no rosto (^-^)

*Lendas japonesas: 1. Momotarou nasceu  de um pêssego gigante que veio na correnteza de um rio e foi achado por um casal de velhinhos que não podiam ter filhos.
2. Kaguyahime, a princesa da lua, brilhava dentro de um bambu e foi achado por um casal de velhinhos que não podiam ter filhos.

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Eu primeiro!

>> terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Karina folgada sempre quer ser a primeira a fazer as coisas: quer dar beijo no pai antes da Melissa, quer trocar de roupa primeiro, quer que a irmã venha depois dela.

Aí que no banho me pergunta por que Melissa nasceu antes. ELA tinha que nascer primeiro.

Perguntei por que ela não chegou antes da Melissa se queria tanto assim nascer primeiro.

Pensou, pensou e perguntou por que eu tenho pentelhos e peito grande.

Mudar de assunto ainda é a melhor tática para fugir de uma pergunta capsiosa. Até a baixinha já descobriu isso, e eu nem precisei ensinar #orgulho (≧∇≦)

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2ª edição da Blogagem coletiva "Porque eu sou ativista da amamentação"

>> terça-feira, 20 de agosto de 2013

Ano passado fui convidada pela Luma mas não participei, porque apesar de ter a consciência da importância da amamentação, na verdade não sou ativista do movimento.  Continuo não sendo, apesar de incentivar todo mundo que conheço quando engravida.

Não vou falar das vantagens, das coisas boas porque muitas pessoas bem mais preparadas do que eu já escreveram sobre o assunto.  Queria falar apenas do prazer desse momento TÃO "mãe e filha".  Queria falar apenas da parte piegas XD

Obviamente já falei sobre a amamentação das minhas meninas nesse blog.

Melissa
Karina
Quem quiser ler sobre o que eu sentia na época basta clicar nas imagens.

Amamentar é uma das coisas que mais sinto falta de quando elas eram bebês.  Aquele momento tranquilo tão íntimo.  Sentir que estou alimentando minhas filhas com o melhor leite que existe no mundo. Descobrir que o bico parece um chuveiro com vários furinhos (eu achava que tinha um único furo). Descobrir que amamentar dói mas é gostoso.

Às vezes desejo tanto voltar no tempo só para poder amamentar minhas filhas novamente...

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Ciclo da vida

>> quarta-feira, 26 de junho de 2013

Que idade pode começar a explicar sobre maternidade e morte a uma criança?

Esses dias Melissa anda preocupada com o fato de ter que cortar a barriga pra ter filhos.  Expliquei que nem sempre precisa cortar alguma coisa.

Aí, é óbvio, que ela quis saber de onde sai o bebê se não cortar. 

Pensei se devia mascarar a verdade com alguma fantasia ou era melhor explicar como as coisas acontecem de fato.  Optei pela segunda alternativa.

Não sei se foi certo ou errado, mas agora ela está com medo de expelir uma criança pela piriquita x__X

Será que já está na hora de explicar o que é "ficar mocinha"?  Uma amiga teve a menarca com 9 anos, e Melissa tem 8...

Bom, enquanto eu fiquei aqui matutando se deveria começar a ter esse papo de mãe e filha, Melissa já começou a se preocupar com outras coisas.  A bola da vez é a morte.

Como nenhum conhecido perto faleceu, ela não entende a morte.  Já ouvi falar que é bom criar algum animal pra criança começar a entender que algum dia todo mundo morre.  Mas isso não é possível aqui. Primeiro não temos espaço, acho que o dono da casa não permite animais, Helio não gosta, Karina tem alergia de cachorros, eu tenho alergia de gatos e eu não preciso de mais alguma coisa pra me dar mais trabalho XD

Desde que começou a esquentar, as meninas tem se divertido caçando bichos em volta de casa: girinos, grilos, tatu-bola, sapinhos...  Apesar de eu morrer de nojo, deixei porque achei que seria importante esse contato com as coisas naturais.

Ela encheu o mushikago (uma espécie de caixinha própria pra criar esses bichos nojentos) de tatu-bola e levou pra escola.  Hoje ela me contou que morreram todos mesmo ela enchendo de mato pra eles se alimentarem.

Ficou triste porque cuidou tanto e queria proteger mas eles se foram.  Mas jogou fora e vai pegar mais pra poder criar.

Melissa AMA animais e já disse que será veterinária quando crescer.  Mas como não criamos nenhum bicho ela não se apegou a nenhum pra poder entender sobre a perda.  Uma cadela que ela adorava brincar mudou de lar e ela não pode mais encontrar, na cabeça dela é um ser vivo que ela gosta muito mas é meio que um objeto que pode ser descartado quando o dono enjoa.  Ela não deixaria nunca que nos desfizéssemos se criássemos um cachorro ou um gato, mas ela tem bem definido na cabecinha dela a diferença entre os seres humanos e os animais.

Ontem veio com um papo sobre bisavós, queria saber quando eu ia me tornar bisavó e se eu ia morrer depois disso.  Tentei despistar com um "Será que mamãe vai morrer?"

Ela começou a chorar falando que não queria ter filhos.  Quando perguntei porque, me responde que se ela tiver filhos e depois tiver netos, eu viraria bisavó e morreria.  E ela não quer que eu morra, então não terá filhos T_T

Fiquei sem saber o que responder.  Se a morte estivesse relacionada com netos ou bisnetos seria tão mais fácil de explicar, não?

Tudo o que consegui fazer foi abraçar e pedir pra que ela não se preocupasse com essas coisas agora.  Não importa de que jeito for, eu SEMPRE estarei junto, protegendo, amando, orientando.

Por que crescer tem que ser tão complicado?  Era tão mais fácil quando ela apenas curtia minha companhia sem questionar se eu viverei o suficiente pra ver meus bisnetos.

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Memória falha ou falta de noção?

>> sábado, 15 de junho de 2013

Conversando com uma amiga sobre os partos das meninas, tentando puxar pela memória o peso e a altura acabo soltando:

- Ah, Melissa como já tinha completado 42 semanas nasceu grande e gorda. Ela tinha 53 kg.

Ô.ô

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[Livros] Amigos imaginários, amizade real ou imaginária?

>> terça-feira, 11 de junho de 2013

Não sou de ficar postando resenhas dos livros que leio porque sou detalhista demais pra poder falar sobre livros ou filmes sem dar spoilers.

Mas existem estórias que merecem serem compartilhadas. O Diário de um Amigo Imaginário entra nesta lista fácil fácil.


"O nome da professora do Max é Sra. Gosk. Eu gosto muito dela. A Sra. Gosk anda sempre com uma régua, que ela brinca dizendo ser sua régua-palmatória, e ameaça os alunos imitando um sotaque britânico, mas as crianças sabem que ela só está tentando fazê-las rir. A Sra. Gosk é muito exigente e insiste que seus alunos estudem bastante, porém ela jamais bateria em nenhum deles. No entanto, ela faz com que eles se sentem com as costas retas e façam suas lições em silêncio. "

...

"Às vezes os outros professores dizem que a professora Gosk é antiquada, mas as crianças sabem que sua severidade é puro amor.

Max não gosta de muitas pessoas, mas da Sra. Gosk ele gosta.

No ano passado, a professora do Max era a Sra. Silbor. Ela também era rigorosa e fazia as crianças se esforçarem como a Sra. Gosk faz, mas dava para perceber que ela não amava as crianças como a Sra. Gosk ama, portanto, ninguém estudava tanto como os alunos estão estudando este ano. É estranho como os professores ficam na faculdade por tantos anos para se diplomarem professores, mas alguns deles nunca aprendem as coisas mais fáceis, como fazer com que as crianças deem risada, e como fazer com que elas saibam que são amadas."

Memórias de um Amigo Imaginário - Matthew Dicks

Livro narrado por Budo, amigo imaginário de Max que, conquanto precise que seu criador continue acreditando nele para continuar existindo, tem autonomia para andar por aí e pensar por si próprio.

Max é um menino "diferente" de nove anos e Budo existe há cinco anos.

Budo tem opiniões bem formadas sobre o que acontece com Max, tem consciência que seu amigo é especial e está sempre ao seu lado para ajudá-lo.

Me foi apresentado como um livro sobre um menino com Síndrome de Asperger, mas eu tenho a impressão que Max é autista. Seja como for, Budo narra de forma madura e ao mesmo tempo inocente sua visão do mundo, da vida e de Max.

Estou no comecinho ainda, mas a delicada e dedicada amizade desses dois já me conquistou.

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New look

>> quinta-feira, 6 de junho de 2013


Longas e lindas madeixas...

Madeixas volumosas e que embaraçam horrores. Madeixas que precisam ficar presas no dia-a-dia porque logo vem reclamação da escola. Madeixas que Melissa tem dificuldade para enxagüar e secar.

Madeixas trabalhosas.

Há muito tempo ela vem pedindo para cortar curto porque não gosta de amarrar, mas eu relutava em atender porque ficava com dó, afinal demorou tanto para ficar nesse comprimento.

Mas domingo depois de ficar um tempão desembaraçando depois do banho, resolvi finalmente dar cabo do cabelão.


Fui cortando com uma dor no coração, mas depois da primeira tesourada não tinha mais como voltar atrás.

E quer saber, eu gostei muito do resultado. Ela perdeu o ar mocinha e voltou a ser meu bebê.


Apesar que eu acho minha fofinha linda de qualquer jeito XD

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Autismo

>> quinta-feira, 30 de maio de 2013



"Em cada um de nós há um segredo.  Uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos.
Talvez seja esse mundo que os autistas apreciam, o mundo que cada um de nós traz dentro de si.
Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes mas ainda não aprendemos a sensível arte de conviver com as diferenças."
Desconheço o autor 

Você sabe é o que o autismo? Já conviveu com autistas?

Sei o que é autismo, ou pelo menos achava que sabia porque em minha adolescência assisti o filme "Meu filho, meu mundo" e me comovi e chorei com a luta daquela mãe/família.  Depois assisti "Rain man" e corooei meus conhecimentos.

Quanta ignorância!  Jamais saberemos o que é realmente enquanto não fizermos uma pesquisa aprofundada sobre o assunto.  Assim como em qualquer assunto, alguns filmes/livros/relatos não são o suficiente para nos por a par do complexo mundo de um autista.

Uma amiga teve a confirmação que a filha é autista em dezembro do ano passado e vem tentando entender melhor sobre esse transtorno para poder ajudar a pequena.

Todas essas histórias ela começou a relatar em um blog que começou a escrever no intuito de poder ajudar outras pessoas.  Como o esclarecimento é o melhor caminho para combater tanto o preconceito como o diagnóstico tardio, recomendo muito o Meu Mundo Autista.

Vambora seguir?

Update: Esqueci de falar do grupo que a Vanessa abriu no Facebook, O autismo na infância.

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Voltando

>> quarta-feira, 29 de maio de 2013

Falta de tempo não é desculpa, é a minha realidade no momento. Pensei várias vezes em fechar o blog, mas aqui está tão cheio de memórias, coisas que reli essa semana e percebi que tinha esquecido completamente. à medida que as meninas vão crescendo e aprontando coisas novas as coisas passadas vão sendo esquecidas lentamente. É triste, mas é verdade.

Há muito tempo quero voltar a blogar, deixei as tarefas um pouco de lado pra vir aqui hoje.  Não vou prometer freqüência porque meu tempo pra sentar na frente do pc depende do serviço que entra pingando desde que fiquei desempregada ano passado.

Uma amiga, a Hidemi, achou uma foto no Facebook e me mandou porque lembrou de mim.


E ela só pode ter lembrado de algo que leu aqui ou no próprio Facebook, que é o lugar onde as pessoas me encontram ultimamente.

E relendo os posts antigos fiz uma verdadeira viagem nas coisas que Melissa aprontou.

Quando achou meu batom
Começou a fazer bolinhas
Começou a riscar tudo: corpo, paredes...
Riscar a irmã também é legal
Surpresa desagradável da Karina
Outra supresa desagradável
A última foto foi direto pro Instagram e Facebook, nem veio ao blog >.<

Na noite da véspera do Nyuuenshiki, cerimônia de ingresso do hoikuen (pré-escola), Karina se auto-maquiou com canetinha.

Eu estava cozinhando e Melissa gargalhando veio avisar que Karina estava engraçada.  Quase tive um treco quando vi.  Como ia levar à cerimônia na manhã seguinte com a menina parecendo o Coringa? Affff...

Graças a Deus, saiu com demaquilante.  A coitada ficou rosa de tanto que esfreguei, mas foi pra escolinha limpinha e bonitinha ^^

Ela ficou tão engraçada que eu nem conseguia dar bronca sem dar risada. Com o nariz estufadão e a voz tremendo ficava falando que era feio. Melissa me apoiava:

- Que feio, né mamãe? Não pode pintar o rosto! Olha pra Melissa, Karina. AHAHAHAHAHAHA Karina tá engraçada!

Como eu ia conseguir não rir? COMO?

E como apagar todas essas memórias? Não dá.

Nota 1: Clique nas imagens que você poderá ler os posts e dar mais risada XD

Nota 2: Tanto tempo sem mexer aqui, só agora vi que muitos links estão dando erro, tantos aplicativos que eu usava não existem mais, preciso arrumar. Farei isso um dia. Não sei quando, mas farei. Acho rsss

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Limpando o local

>> domingo, 25 de setembro de 2011

Puxa, tanto tempo sem atualizar essa bagaça, quando vou ver está tudo diferente no Blogger.  Ainda estou perdida por aqui XD

Fiquei meio perdida depois que as meninas começaram a frequentar a escolinha e quando comecei a me organizar, comecei a trabalhar e a rotina puxada se encarregou de me afastar do pc quase que totalmente.

Acordar às 4:30 todos os dias estava me matando.  Tendo somente o domingo pra arrumar a casa e as coisas da escolinha que volta tudo no final de semana, fiquei sem tempo algum pra poder sentar tranquilamente e mexer no note, já que meu pc está temporariamente morto.  Vamos ver quando o Helio vai se disponibilizar pra arrumar aquilo.

Aconteceu tanta coisa nesse tempo que fiquei ausente que nem dá pra contar tudo sem virar um post gigante e cansativo.  Mas tenho que contar algumas cositas =P

As meninas se deram super-hiper-ultra bem na escolinha.  Karina me surpreendeu ficando de boa por lá.  Nem olhava pra mim na hora de me despedir dela.  Na hora de vir embora, nenhuma as duas queria vir comigo.  Confesso: fiquei arrasada XD Elas nem sentiram a minha falta.

Achei que teria mais tempo pra mim, mas que nada, fiquei perdidaça aqui.  Fui aproveitar pra dar uma geral na casa, me livrando de coisas desnecessárias, ajeitando melhor as coisas dentro dos armários, etc.  E tendo que correr pra levar e buscar, fora idas aos médicos e remédios que tinha que levar na hora do almoço delas, por fim, não fiz tudo o que eu queria, não tive tempo pra mim e arrumei um emprego que me deixou com uma rotina super apertada.

Entro às 8:00, mas tenho que estar na fábrica pelo menos às 7:50 pra fazer o taisou. Mas como levo 20 minutos até a fábrica, tenho que trocar o uniforme lá e ando mais uns 5 minutos até a seção que fica do outro lado da fábrica, tenho que chegar por lá pelo menos até 7:35.  Só que a escolinha só abre às 7:00, até eu arrumar as coisas delas nos armários (detalhe: Melissa no andar de cima e Karina no de baixo), conseguir me despedir, ouvir o que as senseis tem pra me passar, só consigo sair de lá umas 7:15.  Chego em cima da hora, ainda bem que não preciso bater cartão.

Trampo até às 18:00. Pego as meninas 18:35, chego em casa quase às 19:00.  Aí começa outra correria: banho nas meninas, preparar a janta, dar a janta, dependendo da semana tem o bentô do Helio, preparar as coisas pro dia seguinte pra pelo menos às 22:30 já estar na cama.  Queria conseguir dormir mais cedo pra não pastar tanto pra acordar as meninas mas não consigo.  Pelo menos as crianças tentei por na cama às 21:00 mas elas ficam brincando e gritando lá em cima enquanto eu não subo.  Já tentei subir e esperar elas dormirem pra terminar de fazer as coisas, mas eu acabo dormindo e assim acabo me atrasando no dia seguinte.

O serviço é gostoso apesar de corrido e meio pesado, dependendo da seção que fico, agora no final (meu contrato acaba esse mês) estou trampando sentadinha e longe das véias chatas e peçonhentas.

O aniversário da Karina passou e só fiz um bolinho pra não passar em branco, ela ficou feliz.  Queria ter feito um bolo mais caprichado como fiz pra Melissa mas infelizmente não deu tempo.

Elas continuam muito lindas, Karina agora cabeluda está muito delicadinha (na aparência, porque nos gestos não tem delicadeza nenhuma XD), cabelos naturalmente cacheados, peruazinha adora bolsas, sapatos, chapéus e saias.  Melissa continua molequinha, agitada, alegre, falante, muito ágil conseguiu pular 5 caixas no salto de plinto no undoukai (gincana) da escolinha e me fazer chorar de tanto orgulho XP

O primeiro undoukai delas foi muito cute.  Amei participar, as fotos estão expostas num paredão da escola mas ainda não tive tempo pra ver, de manhã não dá senão chego atrasada no trampo e de noite as professorass não me deixam entrar pra olhar =/

Aproveitamos o verão muito bem, Helio folgando de quinta e sexta, quinta saíamos só nós dois pra namorar um pouco e de sexta saíamos a família toda (pelo menos foi assim até eu começar a trabalhar e começar a folgar só nos domingos), mas tivemos um tempinho pra curtirmos sem as crianças por perto ^^

Minhas séries começaram nova temporada mas estou sem tempo nenhum pra assistir =/

Outro dia subo fotos e vídeos, por hoje só queria me desculpar e me explicar pelo sumiço ^.-

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Nomes

>> domingo, 10 de julho de 2011

Karina aprendeu que além do nome ela e a irmã possuem sobrenomes.

Isso se deve à escolinha que elas começaram a frequentar em abril.  Tudo, tudo, tudo tem o nome delas escrito: material escolar, roupas, mochila, sapatos, toalhinhas... tudo.

Mesmo sem saber ler, ela aponta as letras e soletra: Mi-ya-shi-lo Ka-ri-na.  Ah! Sim, ela aprendeu a falar Karina e não se chama mais de Akina ^^

Agora as duas tem suas coisinhas bem separadas e uma não empresta e nem pega as coisas da outra, a não ser quando eu peço pra dividir.

A coisa de nomear um dono pras coisas se extendeu para tudo o que tem em casa: bonecas, quebra-cabeças, cobertores, cama, livros.

- Mamãe, esse (qualquer coisa dela) é da Karina. Olha Mi-ya-shi-lo Ka-ri-na.  Papai, esse é da Melissa. Olha Mi-ya-shi-lo Me-lis-sa.

O Helio resolveu testar:

- Video-game é do papai. Como fala?

- Video-game é do papai? Olha: Mi-ya-shi-lo Pa-pa-i.

Melissa não aguentou e se intrometeu:

- Não, Karina. Papai não é Pa-pa-i, é tio Helio.

Nota 1: Eu sei que 'papai' é um ditongo e não se separa assim, mas é assim que minhas filhas falam. E elas soletram em sílabas porque cada caractere japonês corresponde à uma sílaba.

Nota 2: Pensei muito se colocava ou não a nota 1, mas não queria precisar apagar comentários dos chatos de plantão XD

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Ado A-ado

>> quarta-feira, 6 de abril de 2011

Voltando pra casa e vejo uma senhorinha se exercitando (?). Mãos na cintura, passinho pra frente, passinho pra direita, passinho pra trás, passinho pra esquerda (repeat). Sempre tomando o cuidado de não sair daquele espacinho na calçada.

- Óia lá, que quela tá fazendo?

O Helio é sempre rápido nas respostas:

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Dúvidas sobre a água

>> quinta-feira, 24 de março de 2011

Com o terremoto, a água mineral foi um dos primeiros produtos que sumiram das prateleiras dos mercados e farmácias.

Todo mundo achando que estava seguro consumindo água mineral por causa do medo da radiação.  Pelas informações passadas por várias pessoas, adultos podem consumir sem problemas a água da torneira mas, e quem tem criança em casa? Da torneira já foi avisado que não pode, mas pode dar qualquer água mineral a elas?

O que muita gente não sabe é que as águas minerais tem concentração diferentes de minerais dependendo do fabricante.  E outra coisa que também muita gente não sabe é que não é aconselhável dar água com muitos minerais para crianças, porque como elas ainda não tem os rins completamente desenvolvidos, pode sobrecarregá-los.

Eu tive essa orientação na maternidade quando as meninas nasceram.  Para fazer mamadeiras usar sempre o junsui (純水 - じゅんすい) como o Akachan no Mizu (赤ちゃんの水).


Tem outras marcas, mas esse é o que mais acho por aqui.  Nas farmácias e Home Centers fica junto com as latas de leite em pó.

Ou usar o tradicional método de ferver a água da torneira (que agora não é aconselhável).  A explicação era que os minerais da água alteram a composição do leite em pó e podem atrapalhar na absorção de algumas vitaminas.

Para dar água para as crianças beberem, escolher sempre água com mineralização baixa.  Na hora de comprar confira sempre a composição no rótulo. A @silviakikuchi postou uma foto para poder entender melhor.

Procure o kanji 硬度 (こうど - Koudo) que indica a solidez da água. Quanto maior a solidez, mais pesada a água.

A água aqui no Japão é separada em 3 categorias:

軟水 (なんすい - Nansui) Koudo de 0 a 100 mg/L = água leve
中硬水 (ちゅうこうすい - Chuukousui) Koudo de 101 a 300 mg/L = água média*
硬水 (こうすい - Kousui) Koudo acima de 301 a mg/L = água pesada

* Não sei como traduzir isso, mas achei que água média seria mais fácil de entender XD Se alguém souber a tradução correta, por favor me avise para eu poder corrigir.

Sobre a radiação, tem uma entrevista com um médico nuclear procurado pelo Terra, foi muito esclarecedor e "calmante". Vale a pena assistir, aqui.

Agora é só esperar para poder voltar a comprar água.  Eu, pelo menos, não acho em lugar nenhum >.<

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A vida segue

>> segunda-feira, 21 de março de 2011

Equinócio de primavera, chovendo o dia inteiro. Uma tristeza olhar a paisagem cinzenta pela janela, mas é gostoso curtir o cheirinho da chuva tomando um chocolate quente com marshmallow (as meninas adoram ^^)

11 dias desde o terremoto monstro que gerou o tsunami gigante, muita destruição, muito medo e muita histeria.

Depois de uma semana e pouco parece que a vida começa a voltar ao normal lentamente por aqui. Na tv já não passa notícias 24 horas por dia, as prateleiras dos mercados voltaram a encher, as contas continuam chegando...

Há 1 mês atrás postei que meu próximo sonho de consumo seria uma máquina de waffles.  Com apenas meio rolo de papel higiênico no banheiro e sem encontrar em lugar nenhum para poder comprar, até terça-feira eu daria o mundo por um pacote de papel higiênico. Valores mutáveis.

Finalmente encontrei na terça, o mercado repôs alguns, quando reabriu depois do apagão. Eu vi um papel (cartaz) que eles colocaram, li rapidamente e vi que só podia levar 1 por família. De boa, um pacote com 12 rolos dura bastante aqui em casa. Peguei o papel, lenço de papel e fraldas, não tinha arroz, nem água, nem pilhas ainda, mas tinha leite, pão, muitas verduras e carnes. Na hora de passar no caixa uma surpresa: tinha que escolher entre comprar papel higiênico, lenço de papel ou fralda. Apesar de nessa época necessitar de um bom estoque de lenço de papel por causa do kafunshou e de ainda não ter conseguido tirar as fraldas da Karina, não tinha como não escolher o papel higiênico.

Papel duro e áspero, que em tempos normais eu jamais compraria e que geraria reclamações aqui em casa, mas na atual situação foi muitíssimo bem recebido, além de claro, agradecermos imensamente pelo mercado tê-lo posto à venda.

Vou falar como foi o terremoto por aqui.

Sexta-feira (11) 14:46, estava mandando uma receita para minha cunhada, Melissa jogando Xbox na sala, Karina dando comidinha pra boneca e o Helio dormindo lá em cima.  Começou a balançar, a luz foi cortada.  Não foi uma sacudida violenta, tive a impressão que colocaram a casa em cima de uma bandeja e deram para um bêbado carregar.  Mexeu em todas as direções, para direita/esquerda, para frente/trás, para cima/baixo.  Balançou lentamente e bem grande.  A casa estalou mas nada caiu, nada quebrou.  Olho no relógio: 1 minuto, continua balançando, 2 minutos, continua balançando o.O Coloquei as meninas embaixo da mesa e fui acordar o Helio.   Descemos, fechei as válvulas de gás, abri as portas e janelas e esperamos.  Balançou várias vezes depois.  Quando parou o Helio foi dormir porque teria que ir trabalhar de noite, felizmente depois ele recebeu um meru do tantousha avisando que a fábrica parou. 

19:00 e a luz não voltava, casa gelada, termômetro marcando 2°C e sem condições de ligar o aquecedor.  Aliás, aqui em casa, fora o fogão, tudo depende da eletricidade para funcionar.  Inclusive o aparelho telefônico.  Celular sem linha, não tinha como falar com meu irmão.  A única coisa que me restou foi o Twitter e o Skype no iPhone.  Mas depois de twittar a tarde inteira eu já estava quase sem bateria e sem ter como recarregar.  Notebook sem bateria porque as meninas ficaram assistindo desenhos nele.  À luz de uma lanterna e sem saber se voltaríamos a ter energia durante a noite, desliguei a chave geral e saímos pra dar uma volta pela cidade.  Cunhado foi pra Numazu e ficou horas no McDonald's, nós fomos em um mercado e ficamos rodando até cansar XD

Conveniences funcionavam sob a luz dos carros dos funcionários.


O Helio achou melhor voltarmos pra pegar umas roupas, escova de dentes, shampoo, sabonete e fomos à procura de algum lugar pra tomar banho e passar a noite.  4 pessoas em business hotel sairia em torno de ¥20 mil.  Fomos procurar um motel mesmo e descobrimos que em Susono não tem nenhum o.O

Compramos bentôs no 7-Eleven e fomos escolher um perto do IC de Numazu.  Achamos um baratinho, um quarto saiu por ¥3980 e pudemos ficar por 12 horas.  Foi só aí que consegui recarregar as baterias dos celulares e do notebook e assistir o noticiário pela tv.

Imagino como deveria ser engraçado se o povo do motel estivessem nos olhando por alguma câmera, chegamos com 2 crianças, uma cesta com roupas e outras necessidades e a primeira coisa que fiz foi dar comida pras meninas XD

Não consegui dormir porque toda hora o telefone tocava.  Gente desesperada que não se importa de incomodar os outros às 3, 4, 5, 6, 9, 10 da manhã =/

Na volta abastecemos, porque eu havia recebido um email do posto avisando que subiria a gasolina na segunda.

Tudo normal em casa, a luz voltou às 3 da madrugada, conforme cunhadinho havia avisado. 

Começou a semana com o Helio trabalhando normalmente (mais ou menos) porque a fábrica funciona de acordo com os horários do racionamento de energia.  Mas o importante é que ele continuou e continua trabalhando.

Terça-feira, 10 e pouco da noite, estávamos nos preparando pra dormir quando tremeu um montão.  A casa estalou de um jeito que eu tive a impressão que ia desabar a qualquer momento.  Por sorte, o Helio estava novamente em casa e ele logo pegou as meninas e colocou embaixo da mesa.  Fui correndo fechar o gás e abrir as portas.  Caiu algumas coisas mas não quebrou nada.  Karina chorou, como chorou quando balançou na sexta.  Melissa foi pra debaixo da mesa, com a escova na boca mas sem largar o iPhone que continuou jogando como se não estivesse acontecendo nada de diferente.

Felizmente não acabou a luz.  Estava no msn com meu irmão (do Brasil) na hora e ele pode ver que estávamos bem.  Logo meu irmão (de Aichi) ligou pra saber como estávamos.  O epicentro foi aqui do ladinho e por isso tremeu tão forte.  Chegou a rachar uma parede na fábrica do Helio.  Tive muito medo que continuasse tremendo daquele jeito por aqui e desencadeasse o tão esperado Tokai Jishin, porque se isso acontecer, periga o Monte Fuji entrar em erupção.  Mas foi apenas uma das fortes réplicas que ocorreu a semana inteira em diferentes lugares.

Fora algumas coisas que não se encontra nos mercados e do rodízio no racionamento de energia, a vida voltou a normalizar.  Não houve racionamento de gasolina e querosene como parece que teve em vários lugares.

O lema do momento é economizar, e na verdade eu não mudei tanto assim meus hábitos.  Fora o fato de tirar a tv da tomada antes de ir dormir, não estou fazendo nada de diferente.  Todas as dicas que eu dei no post anterior eu já tinha o costume de fazer mesmo.

Todos os dias treme forte em algum lugar e aqui sentimos um pouco mais fraco, mas sentimos.  O cagaço cada vez que treme aliado à apreensão do que acontece nos reatores em Fukushima levaram algumas pessoas ao desespero.  Ânimos alterados, desinformação e histeria. Familiares, parentes e amigos no Brasil, vendo tanto sensacionalismo nos noticiários, cada vez mais assustados.  Um monte de gente que deu vazão à xenofobia discriminando descaradamente japoneses e dekasseguis.  Gente que veio gritar comigo porque a mídia dava ênfase ao terremoto no Japão do que as enchentes no Brasil (como seu tivesse culpa pela matéria que os jornalistas resolveram destacar =/).  Gente que me escreve para me acusar de não ter Jesus no coração, porque "só Jesus é o caminho" (como se eu não tivesse Jesus em minha vida =/)  Muita divergência de opiniões, muito desrespeito, muito exagero, muita mentira, muito estresse.

Vi muita gente que costuma ter muita paciência se tornarem seres intolerantes e participarem de discussões que não levavam a lugar algum.  Claro que isso não aconteceu assim, do nada, de repente.  A pessoa teve que aguentar muita ignorância, muita violência gratuita, muitos ataques, muita crítica quando o intuito era apenas tranquilizar geral, passando e repassando informações seguras e corretas.  Tentei fazer a minha parte repassando notícias para que o caso não virasse o circo que estava se tornando, e também fui chamada de pseudo jornalista emergente.

Muitas pessoas me perguntaram se não penso em ir embora.  Não, gente, fico por aqui mesmo, estou há 20 anos nessa terra e tenho uma vida aqui.  Além do que, estamos bem de verdade, nossa rotina foi pouco afetada e tenho a certeza que ainda estamos mais seguros aqui do que em São Paulo.  Todos os lugares do mundo oferecem algum tipo de risco.   Viver é arriscado, não adianta fugir.

 Não critico quem achou melhor ir embora.  Cada um sabe o que é melhor para si e para sua família, não tenho absolutamente o direito de julgar as atitudes dos outros. Cuido da minha vida e da minha família.  Apesar das várias informações de que não existe um perigo de contaminação, quem pode julgar um pai ou uma mãe de não querer arriscar a vida dos filhos e levá-los embora?  Acho perfeitamente compreensível e normalíssimo pais quererem proteger seus filhos.  Chamar de covardes, oportunistas ou outros nomes mais feios que não quero colocar aqui agora, além de ser um ato grosseiro, não leva a lugar nenhum.  Que diferença faz na sua vida se um sujeito lá longe resolve ir embora com a família?  Por que a necessidade de criticar, de mostrar seu desprezo?  Atitudes lamentáveis que só geram mais brigas.  Independente das decisões que tomamos o importante é ter respeito ao próximo e manter a calma.

Lamentável também quem consegue fazer piadas em cima da desgraça dos outros.  Pior que ainda tem gente que acha graça.  Um comediante que fala "Montei um quebra cabeças do mapa do Japão, foi só jogar todas a peças no chão.  Pronto, já está montado.  Ah, acho que perdi uma peça.  Não tem problema, essa ilha já desapareceu mesmo."  Tenho certeza que nem ele, nem as pessoas que riram da piada iam achar tanta graça se, nessa ilha que desapareceu do mapa, eles tivessem perdido a casa e a família como aconteceu com muitas pessoas.  Posso estar sendo super sensível, mas achei de péssimo gosto.  E se ele tivesse realmente a certeza de estar certo não teria tentado se explicar.  "Saber rir de si mesmo é uma qualidade admirável, rir da desgraça alheia é desrespeitoso." Como recebi em um tweet.  Sem querer pagar de  moralista, essa onda de politicamente correto é um saco e acho mesmo que com o tempo podemos até achar graça em algumas piadas, mas não agora enquanto continua crescendo o número de mortos.  Esse oportunismo achei precipitado e desprezível.

Os japoneses podem não ser tão efusivos para demonstrar seus sentimentos, mas não são insensíveis e muito menos pouco solidários.  Reportagens como os do Marcos Uchôa me deixam revoltada.  Como assim ele afirma que só os brasileiros tiveram a iniciativa de estender a mão e se os japoneses fossem mais solidários as pessoas dos abrigos não estariam sofrendo tantas necessidades?  O cara cai de paraquedas nessa terra com costumes tão diferentes e sem tentar entender o que acontece já sai disparando críticas discriminatórias.

A atitude daqueles brasileiros que viajaram tantas horas para conseguir entregar tanta comida, roupas e cobertores foi realmente louvável.  Sei que não faz diferença para eles, mas ganharam meu respeito e admiração eternas.  É claro que as doações foram muito bem recebidas e foi de grande ajuda.  Mas foi pedido pelas autoridades que não se repita mais isso.  O acesso aos locais destruídos é difícil, não tem combustível e a falta de organização pode atrapalhar apesar das ótimas intenções.  Você pode não conseguir voltar.  Informe-se e leve as doações aos postos oficiais de arrecadação.

Vi na tv, uma japonesa que tinha um mercadinho que foi destruído pelo tsunami.  Ela e o marido foram ao local pra ver se tinha alguma coisa que poderiam salvar.  Acharam muitos sacos de arroz, algumas frutas e verduras que milagrosamente estavam em bom estado sob os escombros.  Encheram o carro com muita comida e a primeira providência foi levar tudo para os abrigos para ajudar quem perdeu tudo, pois eles moravam em uma parte da cidade que não foi afetada pela onda.  Mas obviamente foram afetados pela falta de água, luz, gás e comida.  E pensaram em ajudar...


Caixinhas como essa foram espalhadas pelas prefeituras e sucursais aqui em Gotemba, para receber doações em dinheiro. Para quem precisar de nota, é só se dirigir ao setor de bem-estar social (Shakai Fukushi Ka) que eles emitem a nota sem problemas.

Muitos apartamentos públicos vazios foram limpados às pressas para abrigar as vítimas.  Muitos foram transferidos para outros abrigos em Saitama, em Nagano e em outras províncias.  Muitos médicos voluntários foram atender os recém-chegados.  Muitos idosos e crianças debilitados receberam remédios e cuidados adequados.  Uma voluntária entrevistada disse que apesar de ter doado dinheiro, em casa ela só podia orar e torcer para que tudo terminasse da melhor maneira possível.  Ali, ela podia ao menos cozinhar e fazer companhia, ouvir as histórias ou simplesmente segurar a mão de quem prefere calar sua dor.  Saber respeitar e saber se organizar, sem agir por impulso não significa falta de solidariedade.

A Coca cola doou água, uma estação de esqui doou os agasalhos que alugavam aos esquiadores, a prefeitura de Gotemba mandou 3 toneladas de água.  Imagino que o exército tenha levado, porque no dia do terremoto saíram dezenas de caminhões da base militar daqui.

Fui até lá perguntar sobre doações de cobertores, já que não achava nem arroz e nem água.  Me orientaram para doar dinheiro na prefeitura.  Mesma recomendação do hospital da Cruz Vermelha aqui em Susono, aliás a Cruz Vermelha japonesa tem uma conta no correio para receber doações.  Dinheiro é que mais ajuda nesses casos.  Os organizadores sabem o que realmente se necessita em cada abrigo e podem providenciar comida, remédios, produtos de higiene, ou o que estiver faltando de fato.  Qualquer valor é bem-vindo, cidadão não precisa deixar o salário do mês, basta um pouquinho de todo mundo que já ajuda muito.

Apesar de toda tristeza que sinto cada vez que vejo o número de vítimas aumentarem, a vida continua e temos nossas obrigações diárias para cumprir.

Como já disse aqui, Karina tem alergia a amendoim e havia comido um dentro de um chocolate. Corri pra casa e dei o remédio com as mãos tremendo. Felizmente não aconteceu nada, mas por via das dúvidas achei melhor levar ao pediatra no dia seguinte para pedir um novo exame. Fui pegar o resultado sexta, depois de uma semana, e aproveitei pra ver a "gripe" da Karina. Infelizmente descobri que não as tosses e catarros não eram sintomas de um resfriado, era uma crise de asma que desencadeou por causa do amendoim. Já ganhou um monte de remédios e tem que fazer inalação 2 vezes ao dia. Mas como foi detectado logo, a asma não atacou tão forte.

Na farmácia enquanto esperamos os remédios elas costumam brincar em um elefante. Como elas não ficam doentes e só apareço por lá uma vez, sei lá, a cada seis meses. Toda vez que vamos eu coloco moedinha pra elas brincarem. Mas dessa vez eu não tinha trocados e expliquei que na próxima vez deixo andar.


Karina: Mamãe, Akina quelo moeda.

Melissa: Mamãe não tem moeda, Karina.

Karina: Mamãe não tem moeda?

Melissa: Não, mamãe é pobre, não tem dinheiro.



E a despeito de tudo o que acontece ao redor, magnólias e cerejeiras se encheram de brotos e se preparam lentamente para um dos espetáculos mais bonitos dessa terra.


A ameixeira já colore a paisagem com suas delicadas flores.


 Para finalizar esse post gigante, quero dizer que como muitos brasileiros, tenho um orgulho enorme de ser brasileira, assim como também tenho muito orgulho de minha ascendência japonesa e acima de tudo, orgulhosamente feliz em perceber que, apesar de tudo, podemos ter esperança na humanidade.

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