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Diário de Bordo

>> sábado, 8 de setembro de 2007

Apresento-lhes Karina, a mais nova princesinha do pedaço. Nasceu dia 29 de parto cesárea, com 48 cm e 2816 g. Achei grande para quem nasceu quase um mês antes da data prevista.

Respondendo a pergunta de praxe: "Com quem ela se parece?"
Eu, Herika, na qualidade de mãe posso afirmar sem sombra de dúvidas que Karina se parece com a Melissa. Sinto como se estivesse com uma versão magra da Mel nos braços. Para quem tem alguma dúvida scaneei as fotos do primeiro banho que ganhei da clínica. Coloquei lado a lado aqui para mostrar a vocês. A única diferença, além do peso, é que uma está com um olho aberto e a outra está chorando, no mais, parecem ser a mesma criança.
A verdade é que enquanto estão inchadinhos os recém-nascidos são todos iguais.

Criança muda muito e Melissa é uma boa mistura das famílias dos pais e creio que com Karina não será diferente.
Outra coisa que muita gente me pergunta é o porque da cesárea tão antes do tempo. De acordo com o médico, a partir da 37ª semana o bebê já está totalmente desenvolvido e só vai ganhar peso até o final da gestação. Então ele prefere tirar enquanto a criança é menor para poder cortar em cima da cicatriz. Quanto mais se espera, maior é o bebê e maior será o corte. Por isso a cirurgia parece ser adiantada, mas não é.

A cirurgia foi adiada e fui internada apenas na terça-feira, dia 28. Graças a Deus e à minha mãe (claaaaaro) deu tempo de preparar tudo antes.
O dia da internação costuma ser tranqüilo e comigo não foi diferente. Cheguei, me troquei e logo vieram me depilar. Diferentemente do Brasil, aqui eles não deixam a bonequinha peladinha. Fica tipo Enéas, careca em cima e a barba comprida em baixo, pois eles só tiram os pentelhos do alto que atrapalham na hora do corte. Na da Melissa me depilaram com um barbeador elétrico, desta vez foi na navalha, então passaram espuma de barbear mentolado e eu fiquei ali com minhas partes baixas com uma sensação de frescor da manhã. Ainda bem que pude me lavar e tirar aquela meleca antes que começasse a irritar minha pele.
A cirurgia foi super rápida e, como eu temia, passei muito mal. Minha pressão, já baixa normalmente, cai muito e eu fico sufocada, não consigo respirar. Passei boa parte da cirurgia gemendo e tremendo demais, meus olhos começaram a lacrimejar sem parar e eu não tinha forças nem pra chorar.
Quando puxaram a Melissa eu senti uma coisa esquisita, um vácuo, um vazio, não doeu mas não foi gostoso. Quando tiraram a Karina eu tive vontade de vomitar. Alguma coisa aconteceu no meu estômago e comecei a me sentir enjoada.
As comparações são inevitáveis (mesmo não querendo fazer). Tudo parece ter sido diferente desde a gravidez. Vou enumerar várias coisas aqui.
OS ENJÔOS: Melissa - Vomitei até ela nascer. Karina - Passou quando ia completar 4 meses, estava tão bem que consegui preparar a feijoada para o aniversário da Melissa, além dos salgadinhos e doces.
MEU CORPO: Melissa - Apesar de ter vomitado mais, eu inchei mais e cresceu apenas barriga. Karina - Fiquei mais redondinha dos lados mas o rosto, as pernas não se alteraram.
ANEMIA: Melissa - Tive anemia profunda depois do parto. Karina - Tive uma leve anemia antes do parto.
ANESTESIA: Nas duas vezes foi a RAC, claro. Mas na da Melissa eu tive que tomar duas injeções doloridérrimas no braço antes e claro que doeu quando o médico enfiou a agulha na minha espinha, mas não tanto. Desta vez não teve as injeções, mas o médico enfiou a agulha mais vezes nas minhas costas. Doeu muito mais. AAAAAFFFFFFEEEEEEEEEE...
O TEMPO DA CIRURGIA: Desta vez foi muito mais rápido. Melissa - Durou quase duas hoas. Karina - Durou uma hora certinho.
A TREMEDEIRA PÓS-PARTO: Melissa nasceu em abril, era primavera, clima ameno... Lembro que me levaram para o quarto e o ar estava ligado no quente, me cobriram com um cobertor elétrico ligado no máximo e um futon (edredon?) e eu pedi para desligarem o ar e tirarem o futon porque eu comecei a passar mal com o calor que estava sentindo.
Dessa vez Karina nasceu em pleno verão, calor de 35°C e os preparativos do quarto eram os mesmos, pois falam que se sente muito frio logo após o parto, seja cesárea, seja normal.
Eu tremia tanto, mas tanto (apesar de não ter a sensação de estar com frio) e deixei que me cobrissem e me encapotassem toda e descansei super bem assim, sem sentir calor.
LIMPEZA/TRATAMENTO DO BEBÊ: Tiraram a Melissa, me mostraram e logo foram limpar em um lugar que ouvia mas não conseguia ver. Depois que terminaram já levaram pra família ver lá fora e o Helio e minha mãe puderam pegar no colo um pouco.
Tiraram a Karina e não me mostraram, mas limparam-na do meu lado e pude ver enquanto ela se debatia e gritava sem parar. Depois de limpa e enrolada em uma toalha, encostaram o rostinho dela no meu e deixaram que eu chorasse à vontade sentindo o toque da pele do meu bebezinho. Mas a família não pôde pegar no colo, apenas olhar.
AS CONTRAÇÕES UTERINAS: Se é que posso chamar assim quando o útero se contrai para voltar ao tamanho normal.
Melissa - Doeu, doeu, doeu.. Minha barriga ficava se mexendo, até parecia que ainda tinha uma criança dentro chutando. Mas a dor era "suportável", começaram apenas no dia seguinte do parto e não duraram muito tempo (dias).
Karina - Doeu, doeu, doeu, doeu, doeu, doeu... Meu Deus do céu, como doeu. Tão logo eu senti a anestesia passando o útero começou a contrair e a doer muuuuuuuuuuuito, mas muito, muito, muito... Eu não agüentei e acabei pedindo um analgésico e me aplicaram uma injeção tão, mas tão dolorida no braço que não sabia o que doía mais no final, se era meu braço ou minha barriga.
Depois fiquei me segurando e tentando agüentar a dor "valentemente", quando na troca de turnos a enfermeira que veio trocar o soro ficou com dó e me enfiou um supositório analgésico ou um analgésico em forma de supositório (se preferir), a outra enfermeira se recusou a me dar mais remédios e falou pra eu tentar agüentar a dor (esse tal de gamam shite deles me enerva ao extremo).
Essa enfermeira me avisou que ia demorar um pouco para fazer efeito e realmente demorou, mas consegui dormir tranqüilamente depois.
No dia seguinte já estava bem, consegui até levantar da cama e andar um pouco dentro do quarto. Pensei que havia acabado meu sofrimento nessa parte mas estava enganada, no outro dia ganhei remédios para contrair o útero e começou a doer novamente. A dor era suportável e a barriga começou a se mexer.
MASSAGEADOR: Dizem que depois da RAC precisa movimentar as pernas senão dá problemas no coração, enxaquecas e sei lá mais o que.
Melissa - Nem havia passado o efeito da anestesia direito ainda quando trouxeram o dito cujo e colocaram nas minhas pernas. São dois sacos compridos que cobrem as pernas inteiras e quando liga, ele infla e fica umas bolhas massageando as pernas. Você sente o ar apertando a batata da perna, a sola dos pés... É uma delícia, super relaxante. Eu adorei aquilo. E como me recusei a levantar da cama no dia seguinte, ainda consegui que colocassem essa maravilha mais duas vezes ainda.
Karina - Nem vi a cara dele. Tinha que fazer exercícios com os pés, levantar da cama o mais rápido possível e começar a andar. O acompanhante (minha mãe) TEM que massagear as pernas da paciente (eu).
OS GRAMPOS: Melissa - O médico tirou no 3º dia, contei 4 grampos (ficou marquinha em 4 lugares também) e não senti nada quando ele veio tirar no quarto. Depois colou um tape grandão e me liberou o banho para o dia seguinte.
Karina - No 4º dia uma enfermeira colou um monte de tapes e fui liberada para o banho, mas a retirada dos grampos aconteceu somente no dia da alta, de manhã e tive que descer até o consultório. Contei e vi 15 grampos. Ardeu muito, doeu um pouquinho.
Das duas vezes só pude tomar banho de chuveiro no 4º dia após a cirurgia, com a diferença que na vez da Melissa fui internada antes então fiquei quase uma semana só na toalhinha (banho de gato).
A SONDA: Melissa - Como eu demorei mais para andar por sentir dores muito fortes, demoraram mais para tirar a sonda já que não conseguia ir até o banheiro. Isso me custou muito caro. Um dia a mais com a bendita e eu perdi a sensibilidade da bexiga. Não sentia vontade de ir ao banheiro, quando sentia já era tarde demais e não conseguia segurar nada. Como o quarto ficava no final do corredor, tinha uma looooonga caminhada até o banheiro e eu ia vazando no meio do caminho: Incontinência urinária, simplesmente não conseguia segurar. Então a solução foi colocar 2 fraldões e ir ao banheiro apenas para me limpar e jogar as fraldas fora.
Karina - Depois da experiência anterior pensei em comprar aquelas fraldas geriátricas e usar quando tirassem a sonda. Fiquei com vergonha e não comprei, se precisasse, mostrei ao Helio qual eu queria que ele comprasse pra mim.
Apesar de ter perdido um pouco a sensibilidade, não perdi o poder de retenção. Graças a Deus não precisei usar fraldas. É uma situação um tanto quanto humilhante, apesar de temporária.
SANGRAMENTO: Melissa - Quase não sangrei, foi muito pouco e apenas nos primeiros dias enquanto ainda não levantava da cama.
Karina - Apesar de não ser em abundância, ainda estou sangrando. Tenho uma teoria para explicar isso (meras suposições minhas, óbvio). O médico da Melissa me limpou melhor já que demorou mais pra me fechar. Afinal, em quase uma hora de diferença dá pra limpar meu útero muito melhor, não?
DOR DE CABEÇA: Melissa - Na mesa de cirurgia me falaram pra não mexer muito a cabeça que ia me dar dor de cabeça muito forte depois de passar o efeito da anestesia (seqüelas da RAC). Fiquei me debatendo o tempo todo mas minha cabeça não doeu nem antes, nem depois e achei que era um exagero das enfermeiras.
Karina - Não falaram nada de dor de cabeça, me debati muito também e também não tive dores de cabeça até o 3º dia. Nossa, de repente começou a doer, doer, doer. Quando senti que ia começar a latejar, deitei e fiquei quietinha com os olhos fechados. Passou! Mas era só me levantar que começava a doer novamente. Falei com uma enfermeira e ela me explicou que é por causa da RAC e me deu um analgésico que não efeito nenhum :S
TEMPO DE INTERNAÇÃO: Melissa - Era pra ser 10 dias após o nascimento, fiquei 9, mas como ela demorou para nascer foram 14 dias no total.
Karina - 8 dias após o nascimento, mas como tem os preparativos e interna-se um dia antes, fiquei 9 dias no total. Tive alta dia 5, quarta-feira.
5 dias são uma eternidade para quem está "presa" em qualquer lugar.
LAVAGEM INTESTINAL: Karina - Fiz na manhã da cirurgia. Que p*** dor de barriga que dá. AAAAAAAAFFFFFFFEEEEEE!!!!!!
Melissa - Hã? Como? Onde? Quando? O quê? Lavagem? Pra quê? Não fiz! Simples assim.
O CORTE: Melissa - Senti muita dor, muito medo e tive uma dificuldade enorme até me levantar da cama. Os grampos repuxavam alguns nervos das pernas e eu morria de medo do corte se abrir, dos grampos rasgarem minha pele... Era a primeira cirurgia da minha vida (a cirurgia de correção da miopia não conta, né).
Karina - Senti o corte arder muito e claro que doeu, mas não tanto e eu consegui me levantar e andar muito mais rápido e confiante. Fazendo tudo em câmera lenta claro, mas já passeava pelos corredores no 3º dia sem sentir os grampos repuxarem nervo nenhum.
AMAMENTAÇÃO: Melissa - Como boa marinheira de primeira viagem, pastei muito até pegar o jeito certo de amamentar, fora que Melissa não colaborava virando o rosto para o lado contrário e se debatendo sem parar. Levou um tempinho até a gente se acertar. Tive mastite mas meu bico não rachou.
Karina - Essa menina é esfomeada, procura o peito direitinho e chupa com bastante força. Está sendo muito mais fácil do que imaginava. Não tive mastite mas rachou os dois lados.
Nas duas vezes não tive bico e tive que acoplar um bico de mamadeira no peito no começo.
INCHAÇO NAS PERNAS/PÉS: Melissa - Antes do parto. Karina - Depois do parto.
FOTO COM A FAMÍLIA: Melissa - Eles marcavam um dia em que a família poderia se reunir, geralmente aos domingos e deram 3 fotos tamanho L no dia seguinte. Havia um painel no corredor com as fotos para quem quisesse ver.
Karina - Para quem quisesse, entre 16:30 e 17:00 de segunda, quarta e sexta-feiras. Se a família não puder se reunir tira apenas a mãe e o bebê. Dão 1 foto tamanho A4 e L quantas você quiser e entregam no dia da consulta de 1 mês. Tiraram as fotos do painel.
Agora alguns pontos em comum são:
MEU PESO: Comecei e terminei a gravidez com o mesmo peso. No começo quando as náuseas são mais fortes eu perdi 5 kg e depois apenas recuperei esses 5 kg até o final da gravidez. Então quando me perguntam se eu engordei é difícil explicar. Afinal: ENGORDEI ou NÃO? (enquete :P)
ESTRIAS: Não tive, apesar do tamanhão que fica minha barriga. Ainda bem que parece que não tenho tendência, pois coça muito e muitas vezes eu não agüentava e metia a unha.
O QUARTO: Coincidentemente fiquei internada no mesmo quarto, tanto da Melissa quanto da Karina. Rezei para desta vez ficar num quarto mais perto do banheiro, mas minha sina parece ser ter que segurar o xixi por bastante tempo até conseguir me aliviar durante a internação.
E, é claro, que a coisa mais importante em comum é a EMOÇÃO de finalmente poder ver o rostinho das minhas filhas, saber que a partir daquele momento vou poder beijar, abraçar, amamentar, pegar no colo... O alívio de ver minhas filhas sujas e melecadas e constatar que são perfeitas e saudáveis.
Como eu já disse aqui, o começo da gravidez da Karina foi muito complicado, com direito a radiografias e muitos remédios. Passei um bom tempo com muito medo que isso tivesse afetado o bebê de alguma forma. Com a Melissa fui perseguida pelo fantasma do medo de perdê-la a qualquer momento. Tinha pavor só de pensar que pudesse se repetir o que aconteceu na minha primeira gravidez.
O comportamento da Melissa era a coisa que mais me preocupava, mas para alegria e alívio de todos foi o melhor possível.
Primeiro porque ela parece não sentir minha falta em casa. Ficou boazinha com o pai enquanto a avó estava comigo no hospital (ela teve que me acompanhar durante as 3 primeiras noites). Depois que minha mãe "teve alta" e o Helio voltou a trabalhar, parece que ficava procurando pelo pai mas não chorou e nem ficava chamando. Comeu e dormiu sem dar problemas.
Quanto ao ciúmes, aparentemente não sente. Mas quando eu estou amamentando ela tem que se enfiar no meio das minhas pernas e fica ali esperando eu terminar. Quando coloco Karina no carrinho, Melissa logo pega minha mão e me puxa pra deitar e abraçá-la. Fica ali passando a mão no meu rosto e sorrindo. Isso me corta o coração.
De alguma forma ela entende que Karina faz parte da família e está curtindo a irmã. É muito carinhosa, adora passar a mão na cabeça fazendo um carinho e fica dando beijinho falando "Akina Akina" Não pensei que ela fosse ter tanta dificuldade para falar Karina, então fico repetindo bem devagar, sílaba por sílaba. Agora ela própria está nos imitando:
- Ka, nini, na, Akina. Ka, nini, na, Akina. :S
Não pode ver Karina dormindo que logo vai mexer:
- Akina tá mindo. Oooooi Akina!
Quando Karina chora:
- Ungashisha shuyá. Ungashisha shuyá. (Não precisa chorar)
É lindo de se ver. Estava tão orgulhosa da minha mocinha, mas desde antes de ontem de noite que ela está com febre. Ontem levei ao pediatra e a garganta está um pouco inflamada, mas não o suficiente para dar febrão e chegou aos 39º. Melissa nunca teve febre tão alta e acho que além da garganta deve estar se sentindo rejeitada, tadinha. Procuro ficar bastante tempo com ela mas acho que está insegura, sei lá. Espero poder conseguir fazer com que ela entenda que ninguém irá ocupar o lugar dela. Vou precisar de muita paciência e tato.
Credo como esse post ficou gigantesco. Queria ter publicado tão logo cheguei em casa, mas estava impossível conseguir ligar o pc. Uma das duas estava sempre chorando... E quando chorava as duas de uma vez então: uma de fome e a outra de febre. Affe... Acabei levando 3 dias para conseguir terminar de escrever tudo o que eu queria :P
No final posso dizer que tanto o parto quanto a recuperação da Karina foram bem mais tranqüilos e rápidos. Da Melissa havia o fator inexperiência que era muito forte. O medo do desconhecido, os temores eram diferentes, tinha inúmeras dúvidas...
Mas posso afirmar que sempre vale a pena. Olhando para minhas filhas me sinto plena e realizada. Nunca imaginei ser capaz de amar alguém tanto assim.
"Você nunca imaginou que se renderia diante de um ser tão pequeno e delicado". Não sei onde li essa frase mas ela me marcou muito (quem souber a autoria por favor me avise para que eu possa dar os devidos créditos) pois em poucas palavras conseguiu expressar como me sinto diante de cada uma das minhas filhas. Tão frágeis e dependentes. Tão pequenas e delicadas. Mas são elas que me dão forças para seguir sempre em frente.
Ainda fico maravilhada (abestalhada, se preferir) diante do poder de gerar uma vida. Uma coisa que sempre me faz chorar é lembrar o momento que vi Melissa e Karina pela primeira vez após os partos...
ÉEEEEECA... Respingou muita baba aí?

Créditos do LO:
Kit Nature by alexa b.- Alexandra Brandwein
Font Alex Brush

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Dores inesquecí­veis

>> sábado, 23 de abril de 2005

Finalmente tive alta.

Como foi difí­cil pra Melissa nascer... Depois de passar tanto tempo tomando remédios para segurar as contrações, quando chegou a hora eu não sentia nada e tive que ser internada pra induzir o parto.
Dia 1 completou 40 semanas e nem sinal da Melissa sair. Por isso antes de completar 41 semanas o médico achou melhor me internar. Dizem que a criança pode nascer até a 42ª semana, mas a clí­nica tem como regra não esperar até o último momento, porque nunca se sabe o que pode acontecer, de repente tem alguma complicação e pode ser tarde demais, todo cuidado é pouco quando se lida com vidas. Achei sensato e concordei .
Assim, dia 7 fui internada às 3 da tarde e começou os preparativos.
Como não tinha dilatado nada, como conseqüência, os ossos da bacia tampouco se separaram.

Iní­cio do meu martí­rio (dia 7 - quinta-feira):

Tão logo me instalei no quarto, me deram uma camisola e uma calcinha E-NOR-ME pra eu usar. Logo fui chamada pra colocar o que eles chamaram de "palitos". Não vi o que era, mas imagino que eram palitos de algodão como o ob* só que mais finos, porque iam contando enquanto colocavam e eu ouvi contarem até 15. Imagino que sejam como o ob* porque me explicaram que iam colocar os palitos e depois um chumaço de algodão molhado pra que os palitos absorvam a água e dobrem o tamanho. Isso tudo pra forçar os ossos a separarem. Não doeu, senti apenas um leve incômodo.
No quarto, já "entrei" no soro e passei a noite assim.

2º dia (dia 8 - sexta-feira):

Me acordaram às 6 da manhã e o médico tirou os palitos e colocou uma bexiga que encheu com um lí­quido. Meu Deus, como doeu... Enquanto a bexiga estava vazia, beleza, mas quando começou a encher... affe...
Quando acabou eu tinha que ficar deitada na sala de contrações que fica ao lado da sala de parto, lá tem uma série de aparelhos que monitoram as contrações e as batidas cardí­acas do bebê. Mal conseguia me levantar da cadeira de tanta dor, andar então, nem pensar. Mas eu tinha que andar até a sala... A enfermeira praticamente me carregou até lá.
Já deitada na cama, colocaram um remédio no soro, imagino que seria para dar contrações, e mais um comprimido que eu tomava de hora em hora.
Logo os remédios começaram a fazer efeito e começaram as dores. Que dor horrí­vel!!! A barriga endurece, as costas doem, parece cólica de caganeira 100 vezes mais forte...
Passei o dia inteiro assim, nem conseguia comer, me trouxeram o café da manhã e depois o almoço que eu comi pra vomitar em seguida, a dor era forte demais. Passei o dia à base de lí­quidos, estava quente e eu tinha muita sede.
Às 5 da tarde terminava o expediente deles e, como ainda não tinha nascido, tiraram o remédio do soro, a bexiga e voltei pro quarto, exausta...

3º dia (dia 9 - sábado):

Novamente fui acordada às 6 da manhã e me colocaram uma bexiga maior que, obviamente, doeu mais ainda quando estava enchendo.
Mais um dia inteiro sentindo dores horrorosas e nenhum sinal de dilatação.
Como tinha mais 2 camas na sala, eu ouvia quando tinha outra mãe junto no quarto. Que terrí­vel começar juntas e ver as outras mães terem seus filhos, eu ouvia o choro das crianças quando nasciam. Me sentia feliz por aquela vidinha nova, mas frustrada por não conseguir ter a minha.
Houve situações engraçadas, como quando uma mulher que estava ao lado entrou em trabalho de parto, na hora das contrações mais fortes eu ouvi uns peidinhos... Daria risada se eu não estivesse sentindo tantas dores. Outra mulher, eu ouvia a respiração entrecortada de quando vinha a contração, era hora do almoço e imagino que como eu ela não sentia fome por causa das dores. Ela parecia sufocada pela dor e eu ouvia o marido tomando o missoshiru, comendo o tsukemono... insensí­vel... rs...
Já era sábado, e o médico me deu alta explicando que a criança estava bem, o coração batia normalmente e a placenta ainda estava em boas condições. Que era pra eu descansar no final de semana e tentar novamente na semana seguinte.

4º dia (dia 11 - segunda-feira):

Depois de descansar domingo em casa, segunda já voltei à clí­nica para ser examinada. Além do ultra-som de praxe, fizeram uma série de exames e constataram que a Melissa estava bem. Fiquei aliviada. Amanhã vou ser internada novamente.

5º dia (dia 12 - terça-feira):

Fui de manhã cedinho pra clí­nica e começou tudo novamente. Bexiga, soro, comprimidos, dores, dores, dores...
Mas novamente, apenas contrações sem dilatação. Ela ainda não nasceu.
O médico veio conversar comigo. 42 semanas é o prazo máximo que eles dão pra uma criança nascer, pois a partir disso a placenta começa a envelhecer e falta alimento à criança, há ainda o risco da criança começar a cagar dentro do útero. Mas no meu caso, a placenta ainda estava boa e a Melissa se comportou direitinho lá dentro, então não tinha problema se passasse um pouco desse tempo. Mas no dia seguinte iam trocar o remédio pra que eu sentisse dores mais fortes nas contrações. Só faltava dilatar, os ossos se separaram completamente e estavam na posição pra deixar passar uma criança.

6º dia (dia 13 - quarta-feira):

Como eu já sabia que não conseguiria comer nada o dia inteiro, acordei um pouco antes das 6 e comi um pãozinho que levei, logo me chamaram e começou: bexiga, remédio no soro, comprimidos, dores... E que dor, meu Deus!!! Nunca senti uma dor tão forte na minha vida. Nem quando quebrei o braço doeu tanto. Eu não conseguia sequer respirar. Não entendo como tem mulheres que gritam na hora do parto... acho isso impossí­vel, a dor é tão forte que não sai voz, pelo menos no meu caso eu não conseguia nem puxar o ar de volta aos meus pulmões.
Na terceira contração o coração da Melissa caiu bruscamente, ficou beeeem fraquinho. Minha sorte foi a enfermeira estar junto com a mulher que estava deitada ao lado (ela estava passando mal) e logo percebeu algo anormal em mim e veio correndo olhar. Sorte porque eu não conseguia me mexer, não conseguiria chamar ninguém. Me colocaram no oxigênio e chamaram o médico que na hora já mandou trocar o soro. Parou todas as contrações e o coração dela voltou ao normal.
Não preciso nem falar que entrei em pânico. Comecei a chorar e não conseguia parar. O médico olhava pra mim e falava:
"- Calma... ela está bem agora. Respira fundo, lentamente senão vai faltar oxigênio pro feto."
Fiquei mais desesperada, não conseguia respirar direito, não conseguia parar de chorar.
Ligaram em casa pra que o Hélio fosse imediatamente ao hospital, só que ele estava de yakin e só voltaria às 8:30, eram 6:30. Falaram com minha mãe e ficamos aguardando.
Não tinha jeito, tinha que fazer cesárea. Na verdade, ele já queria me operar. Bastava o Hélio autorizar. Mas como eu tinha comido um 'pãozinho' e era perigoso eu me engasgar com esse maldito, foi marcado pra 1 da tarde.
Eu imagino o susto do Hélio, voltar pra casa e logo receber a notí­cia que houve complicações, ir pra clí­nica e me encontrar num estado deplorável: com um tubo de oxigênio enfiado no nariz e chorando sem parar, eu devia estar toda inchada.
Começaram os preparativos: tiraram meu esmalte, me depilaram...
Na hora marcada fui levada em uma cadeira de rodas à sala de cirurgia. Tive que ficar totalmente nua. Me aplicaram 2 injeções super-hiper-doloridas no braço, ficou roxo até depois de eu sair do hospital. Me deitaram de lado e me aplicaram a anestesia na coluna.
Fiquei um tempo lá até começar a fazer efeito, prenderam meus braços e me colocaram um monte de coisas pra monitorar o coração, a pressão, e mais um negócio no dedo, que até hoje não sei pra que servia aquilo, fora o soro que eu não tirei desde que fui internada.
Chamaram o Hélio e começaram. Fiquei o tempo todo de olhos fechados. Me falaram pra não mexer a cabeça por causa da anestesia, isso poderia me causar dores de cabeça terrí­veis.
Cortaram e começaram a mexer. O Hélio passou mal e saiu... hehehe... mas acho que foi melhor assim, eu tinha pedido pra ele me acompanhar porque estava com muito medo e o médico permitiu. Mas foi melhor ele ter saído, eu passei muito mal. Perdi muito sangue e minha pressão caí­a toda hora. Fiquei com anemia profunda por causa da perda de sangue também. Teve uma hora que eu pensei que fosse desmaiar, começou a formigar tudo e eu senti que ia perder os sentidos, fiquei quieta. O médico se assustou porque mesmo com a recomendação pra não me mexer, eu fiquei me debatendo o tempo todo... XP Eu estava passando mal, caramba... Eu preferia ter desmaiado, mas logo aplicaram uma injeção no soro pra minha pressão voltar ao normal. Foram 20 minutos até ela sair e mais 2 horas mais ou menos até limparem e me grampearem. Isso mesmo, aqui eles não dão pontos, eles grampeiam. Dá até pra ouvir o barulho do grampeador... É engraçado. Mas naquela hora, eu só queria que ele terminasse logo, eu não agüentava mais. A anestesia começou a passar e eu sentia dores. Conseguia até mexer minha perna direita. Que sofrimento!!!
Dizem que as dores do parto a gente esquece logo. MENTIRA! Jamais vou esquecer o que passei. Tanta dor, tanto mal estar, tanto medo... Mas graças a Deus, ela nasceu bem. É uma criança grande, gordinha e perfeita. Não pude me conter e chorei quando me mostraram logo que ela saiu. Ela estava com o pé enroscado em algum lugar e eles tiveram dificuldade pra puxar. É uma sensação estranha quando se sente a criança saindo. Não dói, mas é estranho.
Limparam-na e levaram pro Hélio ver lá fora. Depois ele me disse que pôde segurá-la no colo, minha mãe também carregou um pouco. Gostei disso, foram atenciosos com a famí­lia.
Por ter sido cesárea tinha que ficar 10 dias internada depois do parto, saí com 9 (no total 14 dias), eu não agüentava mais.

Este post é pra todos aqueles que me olham torto quando falo que fiz cesárea. As pessoas têm um certo preconceito apenas em ouvir a palavra. Mas nem sempre a cesárea é sinônimo de comodismo, é uma necessidade. Eu queria demais que o parto fosse normal e tentei até as últimas conseqüências. O médico também colaborou e me deu toda a assistência necessária. Não me arrependo de nada apesar do susto enorme que levei.



Magali que foi me buscar. E me levou pra ver sakurá no Fuji Reien. Foi o primeiro passeio da Melissa e foi a primeira vez que ela tomou vento na cara. Parecia que ia se afogar =)


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